Resumo:
Esta pesquisa tem como temática o caráter educativo das experiências de luta, organização e mobilização dos chamados trabalhadores rurais ou do campo da Baixada Fluminense, no período compreendido entre 1945 e 1964. O recorte temporal compreende o momento histórico marcado por um clima de euforia democrática, que se instala por diversas partes do mundo, resultado direto da derrota do nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tendo seus desdobramentos no Brasil. O ano de 1945 é marcado pelo que se convenciona chamar de processo de “redemocratização”. Trata-se do processo de “abertura”, ou melhor, de descaracterização e desarticulação do regime ditatorial do Estado Novo (1937-1945), proporcionando uma fase ascensional das jornadas de lutas sociais e de experiências de organização dos setores populares, historicamente, alijados de seus direitos. Conforme destaca Florestan Fernandes, entre 1945 e 1964, é a primeira vez em que surge “a possibilidade de passarmos de uma democracia restrita para uma democracia de participação ampliada”, que, no entanto, seria interrompida com a eclosão do “processo contrarrevolucionário mais violento da história da República”. Isto é, a ditadura militar, implantada no Brasil a partir do golpe civil-militar de 1° de abril de 1964. Em relação ao recorte espacial, ainda que os conceitos de Baixada Fluminense e seus limites geopolíticos sejam variados, para efeito desta pesquisa, será considerado o território dos 13 municípios que formam atualmente a região (Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Japeri, Queimados, Paracambi, Mesquita,
Nilópolis, Magé, Guapimirim, Itaguaí e Seropédica). O projeto pretende contribuir para amenizar lacunas e contribuir para o alargamento das fronteiras da historiografia da Baixada Fluminense, ao investigar o caráter educativo das experiências de organização popular dos trabalhadores e moradores da zona rural, tendo como objetivos: mapear as experiências de organização popular dos trabalhadores e moradores da área rural na Baixada Fluminense; identificar as formas de organização, os modos de ação das organizações populares do campo e as suas relações com a sociedade local, com o poder público, com o então denominado Partido Comunista do Brasil (PCB) e outros partidos políticos, a Igreja Católica e a imprensa; discutir as questões acerca dos fatores que levam à mobilização dos trabalhadores e moradores da zona rural ou a permitem, tendo a perspectiva de que o movimento popular organizado pode ser formado na e para a ação política (luta educadora), ou ainda de que essa ação pode conferir novos contornos a grupos preexistentes; produzir um balanço historiográfico, a partir do levantamento bibliográfico e da revisão de bibliografia, da produção acadêmica sobre o tema da história da luta pela terra na Baixada Fluminense durante o período 1945 a 1964; discutir o caráter educativo das organizações populares do campo, em sua dimensão da organização política, da cultura política e da espacial-temporal.